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 | Entrevistas |
| Oscar Raabe |
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| Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal) |
| Oscar Raabe - Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal) |
Corrigir a acidez do solo? Não, não é só isso. Os benefícios da calagem vão mais além. Muito se fala sobre ela, mas muitas pessoas ainda desconhecem o seu benefício. Utilizada de forma correta, a aplicação de calcário permite a maximização dos efeitos dos fertilizantes e, por conseguinte, o aumento substancial da capacidade produtiva da terra. Nesta entrevista o presidente do Sindicato da Indústria de Calcário no RS (Sindicalc), Oscar Raabe, fala a importância desta tecnologia para o incremento da produção rural brasileira e ainda faz um balanço do setor do calcário. Portoalegrense, líder religioso, engenheiro agrônomo e mecânico, Raabe também é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário Agrícola (Abracal) e diretor da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) e das Organizações Raabe.
Foto: Neco Varella
Sindicalc - Como o senhor avalia a situação do mercado de calcário?
Oscar Raabe - O ano de 2004 foi atípico para o setor de calcário. A disputa de um mercado competitivo, com a queda nos preços dos grãos e outros produtos agrícolas fizeram com que o agricultor deixasse de usar esta tecnologia para diminuir seus custos na produção. Com isso, o setor termina o ano com uma redução de 20% no consumo em relação ao ano 2003.
Sindicalc - E para o Sindicalc, como foi 2004?
Raabe - O principal objetivo do Sincicalc em 2004 foi dar continuidade aos trabalhos que haviam sido desenvolvidos no ano anterior. E, para conseguir realizar isso, foi contratado o agrônomo Cláudio Kray, que passou a fazer visitas constantes a cooperativas, universidades e entidades de classe, proferindo palestras sobre a técnica da correção do solo. Também desenvolvemos ações junto aos parlamentares e órgãos do Governo Federal, no sentido de isentar o pagamento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Todos os trabalhos foram realizados com o objetivo de mostrar a importância da correção do solo.
Sindicalc - O produtor tem a sua disposição linhas de crédito oficiais para investimento na correção do solo?
Raabe - No Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) oferece recursos subsidiados para esta finalidade. Por exemplo, o programa pró-solo, é um financiamento de até 200 mil reais, somente para a aplicação de calcário. É uma linha de crédito com taxas de juros reduzidos, entretanto com a renovação do ano agrícola de 2004/2005, a linha de crédito Pró-Solo foi toda remodelada e com valores maiores. Hoje estamos com R$ 2,3 bilhões de recursos para serem aplicados na correção dos solos do Brasil. Então, existe financiamento específico para o grande e médio produtor dentro da linha de investimento do BNDES, via órgãos repassadores como Banco do Brasil, Sicredi e outros agentes financeiros. Para o pequeno produtor existe o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um programa que tem sido bastante utilizado pelas prefeituras para apoiar o trabalho dos agricultores familiares. Também, existe o Programa RS Rural, que é um programa do Governo do Estado, que oferece financiamento através do Banrisul. Com certeza, não há falta de linhas de financiamento para pequenos, médios e grandes produtores. É só uma questão de querer utilizar o corretivo.
Sindicalc - Na sua opinião, o Brasil ganharia se o produtor corrigisse adequadamente o solo de sua propriedade rural?
Raabe - Todo e qualquer produtor deve fazer primeiramente uma análise de solo e a calagem, senão poderá mascarar a produção. Se todos fizessem isso e houvesse um plano de correção do solo, a produção brasileira passaria de 130 milhões para 160 a 170 milhões de toneladas de grãos em 2005.
Sindicalc - Em 2004 foi criada a Câmara Setorial de Insumos, o que o senhor destacaria neste sentido?
Raabe - Na primeira reunião da Câmara Setorial pedimos para ser colocado em pauta o assunto correção de solo, em nível nacional, e então, já na segunda reunião apresentamos nossas ações. Ao mesmo tempo, apresentamos o Plano de Execução, para atingir os objetivo propostos. Na ocasião, também, formou-se um grupo de trabalho das entidades pertencentes a Câmara, para estudar o problema do calcário. Depois de alguns dias, foi realizada uma análise por este grupo, que concluiu perante câmara setorial, que o plano de execução e a correção de solo são prioridades nacionais. Agora, esse material está em estudo do Ministério da Agricultura.
Sindicalc - Quais são os objetivos do Sindicalc para o ano de 2005?
Raabe - Nosso trabalho será sempre destinado a orientar os produtores com seminários e palestras sobre a importância da correção do solo. Todas as atividades que foram realizadas em 2004 serão intensificadas em 2005, principalmente os seminários que tiveram um resultado muito favorável. Também, existe um projeto que deverá ser lançado em 2005, que será realizado de maneira conjunta com os agentes de financiamento. A idéia é condicionar a liberação de recursos para plantio com a realização prévia da análise do solo. Em 2005, iremos trabalhar efetivamente para conscientizar o produtor rural da necessidade de investir na calagem.
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Data: 4/1/2005 - 08:42:26 Fonte: Sindicalc |
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